Álcool e ansiedade: o alívio que vira armadilha
O álcool pode aliviar a ansiedade por pouco tempo e aumentá-la depois. Entenda o ciclo e como a TCC ajuda a quebrá-lo.
A ansiedade e o álcool costumam formar uma combinação perigosa. A bebida reduz a tensão por algum tempo, o que reforça a ideia de que ela é uma boa solução. Depois, a ansiedade volta, muitas vezes mais intensa.
O alívio de curto prazo
O álcool diminui a inibição e a autocrítica. Em uma festa, pode parecer que ele resolve a timidez. Em uma noite difícil, pode parecer que ele desliga os pensamentos. O cérebro aprende rapidamente: “beber alivia”.
O efeito rebote
Quando o efeito passa, o corpo e a mente reagem. Podem aparecer taquicardia, tremor, irritabilidade, insônia e preocupação. A pessoa acorda ansiosa e pode beber de novo para lidar com o desconforto. O ciclo se fortalece.
A ansiedade também pode ser anterior ao álcool. Nesse caso, a bebida é uma tentativa de autocuidado que saiu do controle. O tratamento precisa acolher essa história sem reduzir tudo a “falta de força de vontade”.
O que a TCC propõe
A TCC ajuda a identificar as situações em que a pessoa bebe para lidar com ansiedade. Depois, trabalha habilidades para atravessar o desconforto sem álcool: respiração, exposição gradual, reestruturação de pensamentos, treino de habilidades sociais e resolução de problemas.
Também é importante cuidar do sono, da cafeína, da rotina e das relações. Em alguns casos, a avaliação psiquiátrica pode ser necessária.
Um passo de cada vez
Não é preciso provar que você consegue enfrentar tudo sozinho. O objetivo é ampliar a capacidade de lidar com a ansiedade sem usar uma substância que aumenta o problema a médio prazo.
Se o consumo está causando prejuízo, procure ajuda. Em crise, SAMU 192 ou emergência. Apoio emocional: CVV 188.