Perfeccionismo: quando fazer bem nunca é suficiente
O perfeccionismo se apresenta como virtude, mas costuma cobrar caro: ansiedade, adiamento e uma sensação constante de dívida.
O perfeccionismo tem uma propaganda boa. Ele aparece como sinônimo de dedicação, cuidado, excelência. E, de fato, costuma produzir resultados. O problema é o preço.
Quem convive com perfeccionismo sabe que o fim de uma tarefa não traz alívio. Traz a próxima conferência. A sensação não é “consegui”, é “por pouco não deu errado”.
Excelência e perfeccionismo não são a mesma coisa
Excelência é fazer bem o que importa, dentro do tempo e dos recursos disponíveis. Perfeccionismo é acreditar que só existe valor no impecável.
Na excelência, o erro é informação. No perfeccionismo, o erro é veredito: “se falhei, sou falha”.
O que o perfeccionismo sustenta
Ele costuma vir acompanhado de três coisas: adiamento, comparação e autocrítica.
Adiamento porque começar significa se expor. Comparação porque sempre existe alguém fazendo melhor. Autocrítica porque o padrão, além de alto, é móvel: quando você chega, ele sobe.
O custo invisível
O custo aparece no corpo: tensão, insônia, cansaço. Aparece nas relações: dificuldade de delegar, de aceitar ajuda, de ser vista errando.
E aparece no tempo. Anos dedicados a manter uma imagem que ninguém exigiu.
O caminho
O trabalho não é baixar o padrão para o descuido. É tornar o padrão escolhido, e não compulsório.
Um exercício simples: antes de começar, definir o que é “suficientemente bom” para aquela tarefa. Depois de entregar, não revisar de novo. Observar o desconforto sem obedecer a ele.
Outro: trocar a pergunta “isso está perfeito?” por “isso cumpre o combinado?”.
Quando procurar ajuda
Se a autocrítica está atrapalhando o sono, o trabalho ou as relações, vale olhar com cuidado. Perfeccionismo é tratável e a TCC tem ferramentas específicas para isso.