Ir para o conteúdo
Bianca Auer Terapia Cognitivo-Comportamental & Terapia do Esquema Agendar avaliação
Relações

Comunicação no casal: como sair do ciclo de acusação e defesa

Quando um ataca e o outro se defende, ninguém escuta. Entenda o ciclo e veja como mudar a forma de falar e de ouvir.

Por Bianca Auer · · 6 min de leitura

Comunicação no casal: como sair do ciclo de acusação e defesa

Existe uma cena que se repete em muitos relacionamentos. Um diz: “você nunca me escuta”. O outro responde: “eu escuto, você é que reclama de tudo”. A partir daí, a conversa deixa de ser sobre o que aconteceu e passa a ser sobre quem está certo.

Esse é o ciclo de acusação e defesa. Ele não resolve o problema; ele protege cada um do desconforto de olhar para a própria parte.

Por que a defesa aparece

Quando alguém se sente acusado, o corpo entende como ameaça. A resposta automática é se explicar, contra-atacar ou se fechar. É uma proteção, não necessariamente má-fé.

O problema é que a defesa confirma a acusação. Quem se sentiu ignorado vê no outro alguém que não quer ouvir. Quem se sentiu cobrado vê no outro alguém que nunca está satisfeito.

Trocar o veredito pelo fato

Uma das primeiras mudanças é sair da generalização. “Você nunca” e “você sempre” são vereditos. O outro não consegue responder a um veredito sem se defender.

Em vez disso, descreva uma situação concreta: “ontem, quando contei do meu dia e você pegou o celular, eu me senti sozinha”.

Isso não garante que o outro vai reagir bem. Mas tira a conversa do campo do julgamento e coloca no campo da experiência.

Falar do que precisa, não do que faltou

É comum o casal discutir o que o outro não fez. A conversa muda quando alguém consegue dizer o que precisa.

“Eu preciso de um momento nosso, sem tela, antes de dormir” é um pedido possível. “Você só sabe viver no celular” é uma acusação que dificilmente produz mudança.

Aprender a pausar

Quando a conversa esquenta, o corpo deixa de ouvir. A frequência cardíaca sobe, a respiração encurta e a pessoa perde acesso à parte mais racional. Insistir nesse estado costuma piorar tudo.

Combinar uma pausa não é fugir. É dizer: “preciso de vinte minutos para me acalmar e depois a gente continua”. O combinado precisa ter hora para voltar, senão vira abandono.

O papel da terapia

Na terapia de casal, não ensinamos uma fórmula de falar bonito. Olhamos para o que acontece entre as duas pessoas: quem persegue, quem se retira, o que cada um sente quando o outro se afasta.

Quando o casal consegue enxergar o ciclo, deixa de ver o outro como inimigo e passa a ver o ciclo como o problema. Isso muda a conversa.

Se a comunicação de vocês virou um campo de batalha, talvez seja hora de olhar para isso com ajuda. Não para dar razão a um lado, mas para criar um jeito de conversar em que os dois possam existir.

Este texto tem finalidade informativa e não substitui a avaliação de um profissional. Se você está passando por um momento difícil, procure atendimento.

Agendar avaliação

Continue lendo

Agendar avaliação