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Relações

Sobrecarga materna: quando a maternidade vira solidão

A sobrecarga materna não é falta de amor ou de organização. É o acúmulo de tarefas, cobranças e solidão que muitas mães vivem em silêncio.

Por Bianca Auer · · 7 min de leitura

Sobrecarga materna: quando a maternidade vira solidão

A maternidade é apresentada muitas vezes como um lugar de realização. Mas também pode ser um lugar de cansaço extremo, solidão e culpa. Quando a mãe diz que está exausta, é comum ouvir: “aproveita, passa rápido”.

A sobrecarga materna não é falta de amor pelo filho. É o resultado de uma soma de tarefas visíveis e invisíveis, cobranças sociais, pouco apoio e uma expectativa de que a mãe deve dar conta de tudo.

O trabalho que ninguém vê

Além do cuidado direto com a criança, existe a carga mental: lembrar consultas, roupas, remédios, escola, alimentação, aniversários e detalhes da casa. É um trabalho constante que não termina às seis da tarde.

Muitas mães trabalham fora, cuidam da casa e ainda assumem quase toda a organização familiar. Quando pedem ajuda, ouvem que estão reclamando de barriga cheia.

Culpa materna

A culpa aparece quando a mãe tenta descansar, trabalhar, sair ou dizer não. Ela sente que está devendo. A sociedade reforça que uma “boa mãe” é aquela que se anula.

Essa culpa não é um defeito pessoal. É uma mensagem aprendida em muitos lugares.

Sinais de que a sobrecarga está grande

- irritabilidade constante;
- cansaço que não passa;
- vontade de desaparecer ou de ficar sozinha por muito tempo;
- dificuldade de sentir prazer;
- ansiedade e medo de errar;
- isolamento;
- conflitos com o parceiro ou com a família;
- sensação de que ninguém entende.

Esses sinais não significam que a mãe não ama o filho. Significam que ela precisa de apoio.

O que ajuda

- dividir tarefas de forma explícita, não apenas “quando puder”;
- nomear a carga mental e redistribuí-la;
- aceitar ajuda sem transformar isso em dívida;
- criar redes de apoio com outras mães;
- reservar pequenos espaços de descanso real;
- buscar terapia para trabalhar culpa, limites e exaustão.

A Terapia Cognitivo-Comportamental e do Esquema ajuda a reconhecer as crenças de que a mãe precisa ser perfeita, de que pedir ajuda é fraqueza e de que o valor dela depende do quanto se sacrifica.

Quando procurar ajuda

Se a sobrecarga vem com tristeza profunda, ansiedade intensa, pensamentos de se machucar ou de não querer mais viver, procure ajuda imediatamente. Ligue para o CVV (188) ou para o serviço de emergência.

Maternidade não precisa ser vivida em solidão. Pedir apoio não diminui o amor. Pode ser o que permite cuidar com mais presença e menos adoecimento.

Este texto tem finalidade informativa e não substitui a avaliação de um profissional. Se você está passando por um momento difícil, procure atendimento.

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