Comunicação não violenta: falar sem atacar
A forma como você diz muda o que o outro consegue ouvir. Quatro passos para conversas difíceis sem acusação.
Existe uma diferença entre o que você quer dizer e o que o outro escuta. Em conversas difíceis, essa diferença costuma ser grande.
A comunicação não violenta, proposta por Marshall Rosenberg, organiza a fala em quatro partes. Não é fórmula mágica, mas ajuda a reduzir o ataque.
1. Observação
Descreva o fato, sem julgamento. “Você chegou depois das onze” é observação. “Você não se importa comigo” é julgamento.
O outro consegue ouvir um fato. Um julgamento sobre a intenção dele quase sempre gera defesa.
2. Sentimento
Diga o que você sentiu. “Me senti sozinha” é diferente de “me deixou sozinha”.
A segunda frase coloca a responsabilidade no outro. A primeira descreve a sua experiência.
3. Necessidade
Nomeie a necessidade por trás do sentimento. “Eu preciso de previsibilidade” ou “preciso me sentir priorizada”.
Sem isso, o outro recebe só uma queixa e não sabe o que fazer.
4. Pedido
Faça um pedido claro, concreto e possível. “Você pode me avisar quando for chegar tarde?” funciona melhor do que “seja mais atencioso”.
E aceite que o outro pode dizer não. Pedido não é ordem.
Um exemplo completo
“Quando você chega depois das onze sem avisar (observação), eu fico ansiosa e sem saber o que fazer (sentimento), porque preciso de previsibilidade (necessidade). Você pode me mandar uma mensagem quando perceber que vai atrasar? (pedido)”
O que não é
Não é falar baixo nem engolir a raiva. É dizer o que precisa ser dito, com clareza, sem atacar a pessoa.
Um limite
Se o outro responde com desprezo, ironia ou agressão, a conversa precisa de outro arranjo. Comunicação saudável exige duas pessoas dispostas.