Automutilação: sinais de alerta e como agir com cuidado
Falar sobre automutilação não incentiva o comportamento. Silenciar, sim, aumenta o risco. Veja como acolher e buscar ajuda.
A automutilação é o ato de se ferir intencionalmente, sem intenção suicida, muitas vezes como forma de lidar com dor emocional intensa. Ela não é frescura, busca de atenção ou falta de força de vontade. É um sinal de sofrimento que precisa de cuidado.
Falar sobre o assunto não incentiva o comportamento. O silêncio e o julgamento, sim, podem aumentar o risco.
Sinais que merecem atenção
- cortes, queimaduras ou marcas inexplicadas;
- uso de roupas que cobrem braços e pernas mesmo no calor;
- isolamento e irritabilidade;
- objetos cortantes guardados de forma incomum;
- justificativas pouco convincentes para ferimentos;
- tristeza, ansiedade ou crises frequentes;
- falas sobre se machucar ou não aguentar mais;
- mudança brusca de comportamento.
Nem todo jovem que se machuca mostra sinais claros. Por isso, a observação deve vir junto com abertura para conversar.
Como conversar
Escolha um momento tranquilo, sem plateia. Fale com cuidado e sem interrogatório:
- “percebi que você parece estar sofrendo. Quero que saiba que estou aqui”;
- “você tem se machucado?”;
- “não estou aqui para te julgar. Quero entender como você está”.
Se o jovem confirmar, evite reações de pânico, sermão ou promessas de punição. Agradeça a confiança e diga que ele não está sozinho.
O que não fazer
- prometer que não contará a ninguém quando há risco;
- exigir que pare imediatamente;
- esconder objetos sem conversar;
- usar frases como “isso é bobagem” ou “você quer chamar atenção”;
- transformar a conversa em culpa.
Quando é emergência
Se houver ferimento grave, risco de vida ou ideias de suicídio, procure atendimento de emergência imediatamente. Ligue 192 (SAMU) ou 188 (CVV). Não deixe o jovem sozinho.
O caminho do cuidado
A automutilação costuma estar ligada a sofrimento que precisa de acompanhamento psicológico e, às vezes, psiquiátrico. O tratamento não é castigo. É apoio para que o jovem encontre outras formas de lidar com o que sente.
Se você é jovem e está se machucando, procure alguém de confiança. Você merece cuidado, não julgamento.