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Jovens e adolescentes

Bullying: o que fazer quando a escola vira sofrimento

Bullying não é brincadeira nem rito de passagem. Entenda os sinais, os efeitos e como agir com filhos, escola e rede de apoio.

Por Bianca Auer · · 6 min de leitura

Bullying: o que fazer quando a escola vira sofrimento

Bullying é uma violência repetida, intencional e marcada por desequilíbrio de poder. Pode ser física, verbal, social ou virtual. Não é brincadeira, não é “coisa de criança” e não serve para “fortalecer o caráter”.

Quem sofre pode sentir medo, vergonha, tristeza e raiva. Muitas vezes, esconde o que acontece porque teme represálias ou porque acredita que ninguém vai ajudar.

Sinais que os pais podem observar

- recusa de ir à escola ou medo antes de sair;
- queda no rendimento escolar;
- isolamento e irritabilidade;
- mudanças no sono e no apetite;
- pertences danificados ou desaparecidos;
- machucados sem explicação;
- uso excessivo do celular com medo ou choro;
- falas autodepreciativas;
- vontade de mudar de escola.

Um sinal isolado não confirma bullying, mas merece conversa.

Como conversar

Evite perguntas que coloquem o jovem no centro da culpa, como “o que você fez para provocar?”. Comece pelo acolhimento: “percebi que você não está bem. Quer me contar o que está acontecendo?”.

Escute sem interromper e sem minimizar. Agradeça a coragem de falar. Depois, construa um plano junto com ele.

O papel da escola

A escola precisa ser acionada com fatos concretos: quem, quando, onde e o que aconteceu. O ideal é pedir um retorno por escrito e acompanhar as medidas. A escola tem responsabilidade de proteger os estudantes e intervir em situações de violência.

No cyberbullying, guarde prints e registros. Não responda aos agressores no impulso. Bloqueie e denuncie.

O que não ajuda

- mandar o jovem “revidar” sem avaliar a segurança;
- dizer que é só uma fase;
- culpar a vítima pela forma de ser;
- expor o caso em grupos ou redes sociais;
- ignorar o sofrimento para não “piorar a situação”.

Quando buscar ajuda

Se houver ameaça, agressão física, conteúdo íntimo compartilhado sem consentimento, automutilação ou pensamentos de morte, procure ajuda imediatamente. Ligue 190 em emergência e 188 para apoio emocional.

A terapia pode ajudar o jovem a reconstruir autoestima, lidar com ansiedade e desenvolver habilidades de proteção. A Terapia Cognitivo-Comportamental e do Esquema também acolhe a família, que muitas vezes chega culpada e sem saber o que fazer.

Bullying não se resolve com silêncio. Se resolve com proteção, escuta e ação.

Este texto tem finalidade informativa e não substitui a avaliação de um profissional. Se você está passando por um momento difícil, procure atendimento.

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