Depressão e sono: dormir demais também é sintoma
Insônia é o sintoma mais conhecido, mas dormir demais e nunca acordar descansada também fazem parte do quadro.
Quando se fala em depressão e sono, a primeira imagem é a insônia. Mas existe o outro lado: a pessoa dorme dez, doze horas e acorda como se não tivesse dormido.
Chama-se hipersonia. É um sintoma comum e pouco comentado.
Por que o sono desregula
A depressão mexe com os ritmos biológicos. O relógio interno que organiza sono, humor, energia e apetite fica desajustado.
O sono deixa de ser reparador. A pessoa passa muito tempo na cama, mas o sono é fragmentado e pouco profundo.
O ciclo que se forma
A pessoa se sente cansada, então fica na cama. Ficar na cama reduz a exposição à luz e à atividade. Menos luz e menos atividade pioram o humor. Humor pior aumenta o cansaço.
E a cama, que deveria ser lugar de descanso, passa a ser lugar de sofrimento.
O que ajuda
Acordar no mesmo horário todos os dias, mesmo nos dias difíceis. Expor-se à luz natural pela manhã. Evitar cochilos longos durante o dia.
Não usar a cama para ficar rolando. Se não dormir em vinte minutos, levantar e fazer algo tranquilo.
Reduzir cafeína no fim do dia e evitar álcool como indutor de sono: ele piora a qualidade.
Um detalhe importante
O sono não se resolve só com higiene. Na depressão, o tratamento do quadro é o que melhora o sono de forma consistente.
A TCC para insônia pode ser associada e tem bons resultados.
Quando procurar ajuda
Se a alteração de sono dura semanas, vem com tristeza, perda de prazer ou cansaço constante, vale avaliação.
Dormir não é luxo, é parte do tratamento.