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Autocuidado

Autossabotagem: por que você trava quando quer avançar

A autossabotagem costuma ser uma proteção antiga, não uma prova de incompetência. Entenda o que ela tenta evitar e como sair do ciclo.

Por Bianca Auer · · 6 min de leitura

Autossabotagem: por que você trava quando quer avançar

Você quer mudar de emprego, mas deixa o currículo para depois. Quer se aproximar de alguém, mas começa uma discussão quando a relação fica boa. Quer estudar, mas passa a noite no celular. A autossabotagem é esse movimento de ir na direção de algo importante e, em algum ponto, criar um obstáculo no próprio caminho.

Ela não acontece porque a pessoa é preguiçosa ou não quer o que diz querer. Muitas vezes, é uma forma de proteção.

O que a autossabotagem protege

Por trás dela, costuma haver medos:

- medo de falhar e confirmar que não é capaz;
- medo de dar certo e ter que sustentar uma nova expectativa;
- medo de ser vista e julgada;
- medo de perder a identidade ou a lealdade a alguém;
- medo de repetir uma experiência dolorosa.

Quando o sucesso ou a proximidade se aproximam, o corpo entende que algo desconhecido está por vir. A sabotagem devolve a pessoa para um lugar conhecido, mesmo que seja um lugar de frustração.

Como o ciclo se mantém

A pessoa procrastina, perde o prazo e conclui: “eu não sou confiável”. Na próxima oportunidade, a autocrítica já está pronta e a ansiedade aumenta. Para aliviar a ansiedade, ela evita de novo. O alívio dura pouco, mas reforça o comportamento.

A autossabotagem também pode aparecer nos relacionamentos: criar conflito quando a relação fica próxima, escolher pessoas indisponíveis, sumir sem explicação ou testar o outro até cansá-lo.

Não é falta de vontade

A vontade existe, mas está em conflito com outra necessidade: a de se proteger. Dizer “só se esforce mais” não resolve porque não olha para o medo que está embaixo.

A Terapia Cognitivo-Comportamental e do Esquema ajuda a identificar os pensamentos automáticos, as crenças e os modos de enfrentamento que se ativam nesses momentos. Aos poucos, a pessoa aprende a reconhecer o sinal de fuga antes de agir e a construir respostas diferentes.

O que pode ajudar

- nomear o medo específico, em vez de dizer apenas “eu me sabotei”;
- dividir a tarefa em passos pequenos e concretos;
- observar o que acontece no corpo quando a oportunidade aparece;
- reduzir a autocrítica e tratar o erro como informação;
- buscar apoio em vez de resolver tudo sozinho;
- investigar a história por trás da crença de que não merece ou não consegue.

Autossabotagem não é destino. É um padrão aprendido, e padrões podem ser compreendidos e modificados.

Este texto tem finalidade informativa e não substitui a avaliação de um profissional. Se você está passando por um momento difícil, procure atendimento.

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