Autocrítica: quando a voz interna fica dura demais
Todo mundo fala consigo de um jeito. A questão é: o tom dessa conversa ajuda ou machuca?
Existe uma voz interna que fala o dia inteiro. Ela comenta cada coisa que você faz, avalia, compara e dá o veredito. A maioria das pessoas tem essa voz. O que varia é o tom.
Quando a voz é justa, ela ajuda: lembra do combinado, aponta o descuido, encoraja. Quando a voz é cruel, ela vira um tribunal que nunca encerra, com um veredito pronto antes de qualquer análise.
O sinal mais comum de autocrítica em excesso é a generalização. Um erro pequeno vira uma frase enorme: 'não sou bom nisso' em vez de 'não fiz isso bem'. Um dia ruim vira 'sempre é assim'.
Na TCC, o trabalho com autocrítica não é trocar um pensamento ruim por outro bonito. Isso seria apenas decoração. O trabalho é conferir a informação: isso é mesmo um fato? Eu saberia disso se fosse outro assunto? Quais são as evidências a favor e contra? Perceber que a autocrítica vem sem prova já muda alguma coisa.
Depois de conferir, ainda pode ser que o pensamento continue verdadeiro e ainda assim seja inútil. Aí o passo seguinte é perguntar: o que eu ganho com essa história? Manter a autocrítica não é mais proteção: já pagamos o preço.
Existe também o corpo. Autocrítica intensa vem com tensão no peito, mandíbula travada, respiração curta. Alongar a expiração, por exemplo, já muda o estado em minutos. É pouco, mas é pouco que funciona.
Se a sua voz interna tem sido mais dura do que justa, vale olharmos para isso com calma.